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Primeiro relato de um projeto de pesquisa: a felicidade para um acadêmico de direito do terceiro período

Thaloara Nascentes, Hugo Garcez Duarte
 
 

Resumo: Neste manuscrito, nos propusemos a apresentar o primeiro relato de um (a) integrante de projeto de pesquisa sobre A felicidade e os direitos fundamentais.

Palavras-chave: Projeto de pesquisa. Relato. Felicidade. Direitos fundamentais.

Abstract: In this manuscript, we propose to present the first report of a member of a research project on Happiness and fundamental rights.

Keywords: Research project. Report. Happiness. Fundamental rights.

Sumário: Introdução. 1. O relato. 1. Sua Introdução. 1.2. Sua fé (Deus). 1.3. A relação familiar (família). 1.4. A amizade. 1.5. Amor (ligado à sexualidade). 1.6. Trabalho e estudo. 1.7. Sua conclusão. Considerações finais. Referências.        

Introdução

No ano corrente, fundamos o projeto de pesquisa A felicidade e os direitos fundamentais, visando comprovar que embora vivamos numa sociedade plural e heterogênea, donde os referenciais de vida são grandiosos, variados e variáveis, as pessoas e grupos agem, sempre, imbuídas de um sentido único, a felicidade, a qual encontra-se intrínseca e extrinsecamente relacionada à efetividade dos direitos fundamentais.

Neste manuscrito, procuremos, a partir do relato de uma graduanda, integrante do referido projeto, sobre o que é felicidade sob sua óptica, comprovar que, inevitavelmente, estaremos diante da necessidade de se efetivar direitos fundamentais.

1. O relato

Passemos, a partir de agora, a colar o relato da graduanda do terceiro período do curso de direito supracitada. Por meio das palavras seguintes, esta procurou responder à seguinte indagação: o que é felicidade para você? À sua resposta!

1.1. Sua Introdução

O que eu defino como felicidade? O que me torna feliz? O que fazer para preservar esse sentimento? São perguntas simples, mas que nos fazem refletir sobre o que realmente importa.

Definir felicidade intrapessoal tem sua complexidade, pois abrange várias áreas, as quais têm de estar em sintonia para se obter o êxito desejado. A felicidade é um sentimento subjetivo, abstrato. O que para muitos são referências, para mim são apenas instintos.

Em uma concepção pessoal, esse sentimento consiste em ver nos momentos ruins oportunidades para possíveis formas de crescimento e aumento da resiliência.

Manter-me feliz envolve muito mais que o momento. Está intimamente ligado ao modo que enxergo a vida de acordo com minhas experiências, minha história e todos os contextos em que estou inserida.

Com o passar dos anos e com o aumento da maturidade, das responsabilidades, alcançar a felicidade vai se tornando cada vez mais difícil.

Tomo como exemplo, para justificar a afirmação, minha infância, em que um simples brinquedo, um doce, satisfazia meu desejo. Hoje esse aspecto vai ganhando mais peso e maior nível de exigência e esforços para se obter o sentimento vislumbrado.

Não conseguiria prescrever uma receita ideal para a conquista da felicidade. Meus embasamentos estão relacionados às coisas simples, mas muito valiosas e que tornam cada momento único e especial, momentos estes que não desejamos que acabe.

1.2. Sua fé (Deus)  

O primeiro ponto que levo em conta nessa relação é a base religiosa, a crença em algo sobrenatural, mágico e misterioso.

Deus em minha vida tem significância suprema, pois é através dele que consegui realizar meus maiores sonhos, superar meus maiores traumas e a mim mesma.

Com isso, tendo base espiritual, compreendi que algumas coisas não dependem apenas dos meus esforços, que eu não precisava ser perfeita para me sentir realizada. Parei de carregar um fardo e comecei a viver tendo limites próprios, de acordo com meus princípios e não mais postulados por outrem.

1.3. A relação familiar (família)

O segundo ponto é fraternal, relacionado à vida biológica, o ponto de partida no mundo real.

Família é uma composição não só de pessoas consanguíneas, mas daquelas que com o passar do tempo ganha espaço especial em nossas vidas.

Essas pessoas são responsáveis por grande parte do que sou hoje e também da minha felicidade.

Minha criação contribuiu muito na construção do meu caráter e principalmente nos resultados das minhas ações, que estão sempre pautadas no sentido de serem as mais assertivas possíveis. Em outras palavras, mesmo que às vezes não seja, busco ser cada vez mais fidedigna a mim mesma.

1.4. A amizade

O terceiro ponto eu relaciono às minhas amizades. Os amigos, para mim, são peças fundamentais, pois eles completam meu lado extrovertido, altruísta, espontâneo e conseguem despertar o que tenho de melhor.

Muitas coisas que acontecem nas nossas vidas não conseguimos compartilhar com nossos familiares, então precisamos dessas pérolas para nos expressar.

Amigos não são aqueles valiosos pela quantidade, mas pelas suas qualidades. Eles me trazem felicidade, mesmo sem terem pronunciado uma palavra.

Esse sentimento se concretiza através dos hobbies, dos segredos compartilhados, dos casos engraçados.

O bom da vida é ter com quem contar, não apenas para quem contar, e a cada amanhecer ter algo novo a desvendar, como uma caixa de surpresas cheia de encontros e desencontros.

Nem sempre eles concordam com os meus pontos de vista, mas isso não interfere na qualidade de nossa relação, pois ideias opostas, para mim, não são sinônimo de inimizade, mas sim, de construção de uma nova concepção acerca de algo.

1.5. Amor (ligado à sexualidade)

Outro ponto significativo que levo em consideração em relação a minha felicidade é a vida amorosa.

Para muitos, esse pode não ser um aspecto relevante por trazer grandes decepções quando não há reciprocidade. Entretanto, para mim, o relacionamento amoroso é complemento de um pedaço de cada um de nós.

O amor é a chave mestra que abre todas as portas, alcançando então novos horizontes e nos projetando para um caminho.

Todas as áreas podem estar realizadas, mas se não existir algo ou alguém para amar e por quem ser amado não é possível alcançar a plena felicidade.

No amor, você encontra felicidade nas pequenas demonstrações, em um sorriso, no simples gesto, no jeito que outra pessoa te trata.

Particularmente, tive muitas decepções. Acreditava em um relacionamento sólido, mas estava enganando a mim mesma. Foi então que percebi que a felicidade não é ter alguém para satisfazer sua carência momentânea e sim ter alguém que além de ser seu parceiro, seja amigo e confidente. Isso sim é estar feliz, se sentir bem, ser tratada como alguém importante, alguém insubstituível. Ser lembrada, como dito, por simples atos e pelo sorriso, demonstram que não somos objetos, mas sim singularizadas, e, por fim, não reduzidas a um simples corpo bonito.

Ser admirada pela sabedoria e por características para além do físico e das aparências, é reconhecer quem realmente se importa com a gente.

Cabe dizer que minha felicidade, nesse quesito, não é impetrada por dogmas, por critérios ou mesmo por opiniões alheias. Sou feliz quando tenho alguém especial em momentos especiais, que, ao invés de arrancar lágrimas, extrai a mais pura essência.

1.6. Trabalho e estudo

O último ponto para a junção dos aspectos positivos a se levar em conta é o âmbito profissional, o qual envolve o trabalho, projetos futuros, especializações. Todos esses ramos são embutidos no “pacote” para finalizarmos o tema proposto.

Meus sonhos são elevados, não significam soberba, são metas a serem alcançadas com muita determinação.

Minha alegria explícita se dá por tirar uma nota boa na faculdade e, além disso, saber que foi por mérito; receber elogios no meu trabalho pela eficiência e simpatia ao lidar com o público e ser valorizada em mínimos detalhes.

Essas questões me levam ao entendimento de que tenho a possibilidade de um futuro digno se mantiver meu esforço.

Por fim, friso que o prazer em estudar me cativa e ocupa o meu tempo, não me preocupando com coisas vãs.

1.7. Sua conclusão

Todos esses pontos apresentados são parte que compõem a minha definição de felicidade.

Não saberia descrever o motivo exato, pois os sentimentos são abstrações, não se situam como parâmetros extensíveis a todos.

O próprio nome já diz, “sentimento”: sentidos pelos quais fazemos tudo valer à pena.

Concluo, então, a felicidade se resume no conjunto de realizações das expectativas que geram contentamentos que os levamos por tempo hábil, mas que gostaríamos de perpetuá-los. São momentos singulares que desejamos que se estendam pela eternidade.

Considerações finais

Postas essas considerações, pode-se afirmar, certamente, a intenção se justificou, já que os aspectos pela graduanda apontados, em sua maior parte, direta ou indiretamente, levarão à efetivação de direitos fundamentais, já que houve uma vinculação à:

a) Deus (crença) – Direito fundamental individual, previsto no inciso VI do art. 5º da Constituição Federal (CF).

b) Família (afeto com vinculação à sexualidade e decorrente da amizade) – Direito fundamental social (CF, art. 226 ao 230).

c) Autonomia da vontade – Direito fundamental individual implícito no inciso II do art. 5º da Constituição da República.

d) Direito ao trabalho – Direito fundamental social (CF, art. 6º ao 11).

e) Direito à educação – Direito fundamental social (CF, art. 6º e do art. 205 ao 214.

 

Referência
BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Constituicao.htm. Acesso em 02 de agosto de 2017.
 

Informações Sobre os Autores

Thaloara Nascentes

Acadêmica em Direito pela FADILESTE

Hugo Garcez Duarte

Mestre em Direito pela UNIPAC. Especialista em direito público pela Cndido Mendes. Coordenador de Iniciação Científica e professor do Curso de Direito da FADILESTE

 
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Informações Bibliográficas

 

NASCENTES, Thaloara; DUARTE, Hugo Garcez. Primeiro relato de um projeto de pesquisa: a felicidade para um acadêmico de direito do terceiro período. In: Âmbito Jurídico, Rio Grande, XX, n. 166, nov 2017. Disponível em: <http://ambito-juridico.com.br/site/?n_link=revista_artigos_leitura&artigo_id=19910>. Acesso em fev 2018.


 

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NASCENTES, Thaloara; DUARTE, Hugo Garcez. Primeiro relato de um projeto de pesquisa: a felicidade para um acadêmico de direito do terceiro período. In: Âmbito Jurídico, Rio Grande, XX, n. 166, nov 2017. Disponível em: <http://ambito-juridico.com.br/site/?n_link=revista_artigos_leitura&artigo_id=19910>. Acesso em fev 2018.